quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

As vezes uma música me lembra voce.
as vezes um lugar.
por várias vezes, uma pessoa, ou várias..

eu sempre lembro voce, eu sempre lembro nós dois.
dos amores que tive, não foram...
dos momentos que tive, não passaram...

todos me falam do homem que fui, em nenhum deles me reconheço depois que voce se foi.

eu vejo as fotos, eu ouço as histórias, mas eu não me lembro de mim, depois que voce se foi.






quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A tecnologia matando nossos sentimentos.

Ainda me lembro do "radinho" de pilha da minha finada avó.

Sempre na cozinha!   Era ligado cedo  para pegar o BOM DIA! do locutor, e a seleção de musicas românticas que começava logo cedo.

Ali, quietinho na prateleira, sem ser notado, ele contava a novela e até fazia ela chorar. Que bobo não?
Esse rádio durou décadas, e acompanhou a boa velhinha por anos, nunca quebrou, e por estar sempre por perto, sempre ligado e sempre cantando...nunca fez falta! e nunca foi substituído.

Esses rádios foram feitos  sem design, brutos, não tinham a qualidade e cores e brilhos que temos hoje, mas funcionava, e cumpria seu papel.

Diferente dos de hoje,  que têm data de validade marcada, que são lançados com prazo para serem descartados, e é aí que comparo a nossa fase de vida.

Tudo hoje é descartável, tudo é passado para trás e trocado por novos modelos mais caros, mais bonitos talvez, mais potentes! porém: sem intimidade! sem longa vida! sem valor.

Inclusive nossos sentimentos!  procuramos tanto nos relacionar, e combinar e estar em sintonia, que nos esquecemos da duração da insistência!  do valor!

Como era difícil  sintonizar uma frequência!  mas mesmo assim, era só tentar mais um pouquinho que dava certo. Esses somos nós hoje! desistindo da sintonia, desistindo do tentar para procurar um modelo novo na próxima casa.
Desistindo do cotidiano, e do real valor das coisas quando se tem dificuldade para consegui-las.

Penso que tudo ficou tão fácil, tão corriqueiro e banal, que comparamos nossas vidas entusiasmo e sentimentos á rádios -casas Bahia- vinte e quatro vezes bem baratinhas de prestação que nem pesa no bolso! no coração!

talvez eu seja antiquado.

Mas me dói pensar em não ter um rádiozinho de pilha, conquistado com o tempo, com suor...para estar sempre ali!

  Me acompanhando pelo resto da vida.

domingo, 5 de outubro de 2014

Parece.

Me chama!

venha até mim, me despedace sem piedade.

Me carregue pra bem longe, em cacos, copos, quilos.   Me faça me sentir peso, carga, volume.

Para que um dia: vazio, me recorde de que já tive valor tabelado em massa.
Para quando totalmente vazio me sentir ( como agora)  minha memória não seja algo que nunca tive.

Se entregue, inteira, em corpo, em beijo e sexo amassado.

Para que quando eu me sentir sozinho, me recorde em arrepio da responsabilidade que senti.
Para que quando eu me sentir sozinho, eu me faça companhia me lembrando do abraço.

Me recorde e me lembre em outros caras.

Para que quando eu te veja, não te sinta tão vazia. Tão sozinha.
Para fazer completo o ato falho desse nosso teatro sem público, sem luz, e de cortinas fechadas.

Mas me esqueça e saia da minha cabeça. Agora!  de uma vez!

Para eu poder dar os passos que sempre quis e nunca dei.
Para eu poder amar e sofrer o que já sofri.

Para que tudo isso PARE agora nesse instante.

Para que eu consiga de uma vez errante...

Me lembrar do amor; que nunca tive.


domingo, 14 de setembro de 2014

Não pode ser real.

É de joelhos que caio novamente. É para baixo que estou olhando....
Com as mãos nas pernas, lágrimas  no chão....droga!
Aconteceu de novo, de novo estou apaixonado, Entregue!

De novo estou chorando.

Não tem nada de novo nisso.

nem  de tão velho para que eu merecesse esse vazio, essa doença.


A vida insiste em me passar a perna cada vez que eu penso em correr.

E eu só queria caminhar, em frente, devagar...

Dói.
De novo.


Desculpa...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Nossos sonhos.


Já ouvi dizer que a dor é a melhor "fazedora" de textos, de pensamentos... talvez de blog.
E até concordo.

Do nascer do sol ao aparecer da lua, cotidianamente nos esquecemos dos nossos sonhos, e das idéias mais simples de felicidade, principalmente daquelas horas em que o dinheiro de nada vale; aquele momento ímpar onde se acha a paz não por se estar em algum lugar específico, mas por encontrá-la dentro de nos mesmos!  é claro que uma praia e um pôr do sol ajudam, mas o simples fato de se estar em paz em meio ao trânsito caótico que nos cerca todos os dias santo, escutar aquele música que te lembra um amigo, sentir e tentar adivinhar o perfume de um desconhecido, entre outras coisas bobas.

Sei não, mas penso que carregamos todos os nossos sonhos dentro de um quarto com portas e janelas abertas dentro da nossa cabeça, e com o passar dos anos vamos entulhando caixas, e fechando portas e janelas, e fechando portas e portões...mentes e corações. E chega um dia em que nos esquecemos deles! ou onde eles estão. E aí que nos tornamos tristes e sem vida, e passamos a viver sem um objetivo  trabalhando pra ganhar dinheiro, ganhando dinheiro para sobreviver, sobrevivendo para comprar, para ter!   e deixamos de viver...

Deixamos de viver e; não consigo colocar em palavras o que fazemos todos os dias, nos tornamos ponteiros de relógio que em vinte e quatro horas, voltamos ao mesmo lugar, na mesma velocidade no mesmo sentido. Sem sentido algum.

Não tenho técnicas nem opinião para nos livrar disso, apenas sei que é assim. Maldita modernidade! maldito seja os bens de consumo e padrões da sociedade, maldito sejamos  por desperdiçar o tempo que nos é dado perdendo tempo! Acredito que não viemos a Terra para ser felizes, já que aqui não é o paraíso.

Mas qualquer que seja o seu Deus, tenho certeza que ele se sente aborrecido por isso, e se um dia, no final do seu último dia ele chegar e te perguntar o por que você não se esforçou para buscar a felicidade, espero realmente que tenha um rascunho para responder.

pois eu só tenho textos.


Depois de ontem.

E eu?

Sempre tão culpado de tudo.
Sempre tão ausente.
Sempre Bruto. Arrogante.
Sem te levar flores.
Ou ao cinema....

Eu sempre sem declarações de amor.
Sem abraços demasiadamente demorados.
Sem brincadeiras e carícias.

Jantar fora. Nem pensar.
chorar depois de fazer amor?  rá.
te pedir pra ficar : Jamais.

Pra quem é tão egoísta como esse meu Eu, o resultado é a solidão.

Por isso penso que nada melhor pra me acompanhar do que a garrafa.
e estar acompanhando com meus devaneios.

Fugir de mim deve ser fácil.
Me deixar sozinho uma obrigação.
Me odiar: um privilégio...

Agora só não venha me dizer que estava certo.
Pois um mínimo de orgulho. a gente tem que ter.

E eu com destreza e tempo.

Consegui o meu mínimo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O amor quando acontece.

Já dizia João Bosco o cantor.

Mas, o que ele dizia?  E as Marisas aos montes?
Todos falam desse assunto cansado, mas ninguém revela o mistério, que tenham fé!
Olha pra mim... não faz assim, não vai lá não!

morto desse tédio, que é pura ilusão.

Ele fica ali parado, olhando para longe, esperando que alguém apanhe... para cumprir sua função; O amor.
Mas mesmo me dizendo que o amor não tem pressa e que ele pode esperar. Calúnia. Injúria. Difamação.
E a Caymmi ainda implora..  para manter as lembranças, onde você estiver, não se esqueça de mim.


E o tempo bate, e só ele faz frente...      ele zomba de mim, pois sabe o quanto eu chorei... por que ele sabe passar e eu não sei.



Os amores terminam no escuro. Sozinhos...

sábado, 1 de junho de 2013

VENDE-SE BÍBLIAS.

Não adianta nada o amor bater a sua porta em uma bonita manhã de sábado, e voce achar que é um testemunha de jeová vendendo bíblias... e não atender.



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Não desista

Quando passamos por um caminho difícil,
fazemos uma revisão em nossas lembranças e somamos as dores,
que parecem crescer a cada lembrança.
Fazendo descer muitas lágrimas em nosso rosto
Se fizéssemos ao contrário,
Somássemos nossos momentos de alegria,
encontraríamos razões para viver mais
forças nas lembranças mais bobas
e motivos para sorrir de novo

Por mais longa que seja a noite,
por mais lento que tenha sido o relógio
e por mais dolorido que tenha estado nosso coração,
o sol nasce novamente
Não importa se no dia seguinte ele estará coberto por nuvens,
ele não estará coberto eternamente.
A certeza de que algo de bom e bonito existe a nos guardar
ainda mantém acesa a chama dentro do nosso coração.
De um dia essa dor enorme cessar

Tudo é passageiro, as alegrias veem e vão, assim como as lágrimas
aquela que mais nos faz falta em cada amanhecer
é também aquela que nos da forças para a doçura de viver
Não podemos desistir de ser felizes enquanto o sol não desistir de renascer



Não desisto,  mas para quem já nasce chorando... vou morrer de saudade.

Um beijo berola :)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Se surpreende com os estupros nas vans e no ônibus? Eu não...

No fundo, no fundo, (e na superfície) ambos querem e conseguem a mesma coisa. Diante da ameaça consentida ou do pedido jeitoso, os seduzidos e deslumbrados pelos cometas artísticos do momento, compram o CD.

Nada contra Teló, Anitta, Naldo, e essa legião que apenas descreve, mal, e porcamente, obviedades sexuais, que todo mundo nasce sabendo.

A grande obra poética “Amor de Chocolate” tem isso:

“Eu já tô cheio de tesão
e cada vez eu quero mais.
Eu não tô de brincadeira,
eu meto tudo, eu pego firme pra valer,
chego cheio de maldade, eu quero ouvir você gemer.
Corpo quente, tô suado, vem melar e vem lamber,
só o cheiro, só o toque, já me faz enlouquecer”.
...


E tem gente que estranha estupro em ônibus, à luz do dia, no RRRio de Jianieiiiiro, não é mesmo Annenberg?

O velho Cícero, há 2000 anos, berrava em Roma (cujo Império, imortal, morreu no ano 476 D.C. - depois de Cristo):

Ó tempora! Ó mores! (Ó tempos! Ó costumes!).

Crianças do Brasil, uni-vos! Cuidem-se! A pedofilia e outras aberrações humanas estão soltas.

Mas, relaxem. Ouvir Naldo, na sala e no quarto, POOOODE!

É educativo.

Letra obscena escrevia Dolores Duran em “Noite do meu bem”:

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem.

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem.

Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem.

Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
E quero toda a ternura do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem.


Caretice, para quem apenas se mela e se lambuza com chocolate. E acha que ama.



Cascione, Vicente.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Drink on it!

Brasileiro  não sabe tomar café.

Brasileiro  não sabe tomar cerveja...

Brasileiro não sabe tomar chá...


Acho que pela política e pelo futebol que dá alegria....  Brasileiro tem mesmo é que tomar no  **

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mil agouros.

Bah!  que apanha pequenino,  tu já não é mais novo!  e nem o mesmo.
De trilha longa e lama funda, te afundaram até o talo, e ta aí.. batendo, apanhando...
Aprendeu a viver de música e fumo.  Bombeia álcool aos litros, e nem senti mais enjoo.
Mas vivido e sabido, druida  da sociedade, já fareja falsidade, e não se deixa mais levar.

Não consegue ser levado, de tanto ser destratado.  já não se ilude ao caminhar.
Vive! vice e espera, tenha a santa paciência, em todas as ocorrências.. alguma deve contar.
Se não contar! é mais uma experiência, aprende na concorrência  o dom de diferenciar.
Por que ser sempre assim, já não dói mais em mim, já não é mais salutar.

E ainda mantém a perseverança  de encontrar outra lambança, que te faça batalhar.
Em um copo, verso ou  pranto, sem surpresa e sem espanto
Não sabe o destino, e caminhar sozinho é mais comprido, o caminho de sonhar!

Não te apressa ao sofrimento, mas esteja sempre atento ao que tem certo encanto
Não me faço de arrogado, já estou é bem cansado, e já sei onde pisar.
Depois de ser cobaia, não é qualquer arraia, que te deixa envenenar...








domingo, 17 de fevereiro de 2013

Aceite ajuda e pratique o bem.

 plenitude da fé está em suportar com paciência aquilo que ela impõe (hukm) e em sentir-se contente com o destino que ela reservou para ti"
Abu al-Darda'

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Segura na mão de Deus.

Perdi uma pessoa querida.
Uma leitora.

Uma amiga, futura amiga...  futura confidente, futura cia de risadas.
Parceira de conversa de madrugada.

O que seria de nós sem o "e se" ?

O que seria de nós sem esse acaso que nos cerca?   tantas tragédias...
Um sorriso que eu via sem querer... e que nunca mais verei... ou saberei explicar.

Uma vida nova que se perde em meio a tanta morte, Tanta tristeza...

Isso não pertencia a ela.

Tenho que acreditar que Deus precisa as vezes tirar alguns bons, para não ficar tão clichê que a vida não tem sentido.



Me parti o coração sua partida, sua busca de sentido, me deixa sem rumo, sentido, e esperançoso de que, do outro lado, na grama do vizinho, você estará segurando uma bela flor, que combina com você  com seu sorriso e não com essa falta de jeito que me deixou.

Que pena que entre tanta gente, tanto tempo e tantos momentos, eu não pude te dar mais atenção, e me doar um pouquinho mais pra você que valia a pena.

Ah! se a minha vida fosse saber do que acontece nas outras vidas, e com simples atos, pudesse salvar algumas.


Um beijão bugrinha.. com todo carinho do mundo,e agora do céu.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

délivre-nous du Mal. Amen


Vejo-me cansado, destroçado em palavras. Esqueci o que era vida?
Depois de ter você, poetas para quê?  ela dizia...

 E nem cito sentimento, do maremoto que chegou,
 E te tirou do meu caminho, E pra longe te levou.

Velando o pensamento, do sentimento que hoje é morto,
Que nem antes merecia...
Suas atitudes com o vento, não era de andorinha.
Devaneios e fiascos, não me fazem mais pagão.

Destituído como um rato,
De perdão que merecia.
Me fortaleço na oração.

 Me sinto ainda  fraco.
E contente com o fato.
De achar forças de um cristão.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Velharias.



Minhas antigas palavras
em um tom amigo não serviu.
Fizera dos nossos passos
mais uma queda no caminho.

Tenho me perdido quando acordo
Te encontrado enquanto durmo.
Pela janela não há espaço
E pela noite não há vida.

Vida essa que era sua.
Sua, suada! não minha sonhada.
Sozinho agora vou pela rua.

E meus sonhos pela calçada
Meus  privilégios de ser teu desejo
de ser teu humor, minha amada.

                                                                        31-03-2008.




sábado, 29 de dezembro de 2012

Olympo

Algum Deus da acrópole, me tira daqui!

Qualquer coisa que se pede, qualquer coisa que se mede, qualquer passeio ou novidade, que fosse da minha vontade. Vamos em frente!

Uma boa noitada com Baco, terminada em Barcelona, onde ela me espera, aquela querida de sorriso doce Atena! a me acarinhar com palavras e olhares.
Um voo rasante  Sobre a Síria empunhado a lança de Netuno, numa aventura única, qualquer coisa além disso, Ou depois.

Sentar e ver o pôr do Sol, eu e a Medusa, até escutarmos o sol ferver no horizonte escutando suas fagulhas.
Ontem sonhei com Afrodite, embaixo dos meus lençóis, estava calor... suava frio, acordei do sonho pensando ser Ares, confrontando todo o mal da cidade. Sem fazer sentido, já estando descansado, e a vontade de correr só aumenta, parece que no final de tudo as coisas vão ficando lentas, o dia dura um dia todo, e a noite nunca passa. Essa relação com a noite, que sempre me aconselha com silêncios, silêncios perturbadores e barulhentos que vem de todos os lados, acompanhado de Hefestos, colocando fogo em todo meu passado, e nada se queima e tudo se ilumina!

sem freio nas linhas, o fim é sempre um começo, desarticulado, destemido hoje, mas no final das contas Hades me alcança de um jeito ou de outro. E vivo e morro a cada dia, perdido.

Sei que o peso das palavras que eu sempre disse, me faz andar mais devagar, mas o que me freia é o que deixei de falar, não são palavras bonitas todas elas, só algumas...

E eu as direi, causando sorrisos e medos, felicidades e preconceito, é assim que eu levo a minha vida antes que ela me leve.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Jardim Noturno.

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe. 

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza 
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história. 

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa 
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa 
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade 
De aceitá-la tal como é, e essa visão 
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Aprendi que:
Algumas pessoas, normalmente pessoas aparentemente de boa índole, simpáticas, muitas das vezes bem apessoadas nascem com um buraco na alma. É difícil de perceber!  tem gente que jamais se dará conta disso, e tem certas pessoas que tem uma certa facilidade para perceber; Pessoas como eu, precisam sofrer, e se envolver ao máximo para sacar quais são, e o que são essas pessoas, e vai aqui a minha definição:

Essas pessoas, nos envolvem, cativam, e têm sempre muita afinidade contigo, elas sabem conversar, te admira, e na maior parte do tempo sempre nos dá atenção sem igual. Mas esse buraco, que se demora a entender qual a função que o mesmo tem, é muito, mas muito perigoso.  Essas pessoas "furadas"  as vezes nascem com esse buraco negro, as vezes ( e na maioria delas)  adquirem esse buraco, por conta de mágoas que carregam, por conta de frustrações dessa, ou de outra vida, por motivo de inveja e despreparo emocional.  Muitos, têm esse buraco pequeno, e é corrigível a longo do tempo, com coisas boas, amizades boas.. bons amores, religião, etc.
Mas fechar isso é uma tarefa difícil, essas pessoas sempre sorvem o que as pessoas ao redor tem de melhor, e o pior: Fazem isso sem perceber, e quando sugam o próximo, esse buraco só aumenta, e fica insaciável!

Nem toda a amizade do mundo, carinho, afeto e dedicação... são suficientes para essas pessoas, e elas sempre querem mais, e sempre mais infelizes! sempre exigindo mais e mais e mais e mais! e o buraco só aumenta!   até comprometer a alma de quem, por bem, e sem saber... acaba seco, e derrotado por vezes, querendo ajudar.
Algumas delas, não tem cura, outras encontram a cura nelas mesmas,  mas em sua grande maioria, elas matam os que estão em volta. De tristeza, de rancor... ou de doença mesmo.

É triste, e todos nós carregamos esse buraco na alma, segundo nossos pecados contra Deus, e atos contra o próximo. Só nos resta saber controlar o tamanho dele, e tentar ao máximo não deixá-lo aumentar, prejudicando assim ao próximo.

Eu reconheci  já conhecendo uma pessoa assim, e me senti triste... não por me ver sendo absorvido novamente...mas por ver várias qualidades nessa alma, e ter como único meio de ajudar, pedindo a Deus para reparar essa alma, e cobrir com seu manto. Uma oração sempre ajuda.

Que a Paz e a misericórdia do Deus piedoso, nos acompanhe, hoje, e sempre!

S´alam!